SARGENTÃO SCOLARI

Não sou seu apoiante, não sinto pela sua personalidade o mesmo enlevado apreço que espontaneamente devotei a Otto Glória e, tendo em conta o exorbitante salário que Gilberto Madail lhe paga, considero-o absolutamente dispensável. De carácter demasiadamente arrogante, mentor de mezinhas dignas de um vulgaríssimo bruxo, as suas tiradas, aos jornalistas que lhe solicitam opinião e comentários, dão ideia que se dirige a uma legião de otários mal intencionados. De resto, até no esforço que às vezes faz para mostrar-se "bonzinho", se lhe nota a boçalidade que o impregna e lhe dá o ácido ar de sargentão rude e assaz antipático.

Todavia, não hesito em reconhecer-lhe, sobretudo, a eficácia disciplinarora que introduziu nos métodos de trabalho da selecção portuguesa de futebol, o que permitiu lograr uma sensível mais valia no desempenho futebolístico dos atletas e lograr os dois inequívocos sucessos em que foi principal responsável: o segundo-lugar europeu e o fácil apuramento para o Mundial 2006.

Portugal - todos de lés a lés o reconhecem - perpassa por uma gravíssima crise económica que de dia para dia mais se empola. Em tão inadequado momento, por acréscimo, Scolari, acolitado por Fernando Correia - o que é estranhíssimo - aparece na televisão a vender relógios com a sua assinatura, salientando-lhes a particularidade de poder saber-se as horas a 20 metros de profundidade. Não será preciso tanto: a sete palmos de terra é o bastante para se medir o tempo na eternidade. Aviem-se até rebentar...


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